novembro 17, 2010

O que acontece quando você liga para a NET

Obrigado por ligar para a NET. Se você já é cliente NET, antes de apertar a tecla 1, eu só queria dizer que você é um trouxa. Se ainda não é cliente, desligue o telefone enquanto é tempo.

[barulho de tecla]

Muito bem. Agora, digite o numero do seu CPF ou seu código NET. Se você não sabe seu código NET, vá procurar saber, porque nós ainda vamos te perguntar isso 8 vezes nessa ligação.

[vários teclas]

Agora, se você está tendo problemas técnicos, nós aconselhamos que você tente resetar o modem. Aliás, esse é o único conselho que a gente tem para te dar, então fique insistindo.

Agora, se você está tendo problemas com a sua fatura, digite 2 e seja bem vindo ao inferno.

Se você já pagou sua fatura e continua sem serviço, digite 5, e eu vou tentar religar o seu serviço. Aguarde três segundos até que eu volte para avisar que não deu certo [3 segundos]. Infelizmente, não foi possível religar o seu serviço. Mas eu avisei, não avisei?

Agora, se você está ligando para avisar que pagou uma fatura que não está paga, nem vá adiante. A NET não chegou onde está sendo enganada, vai por mim. Mas, se não for o caso e você quiser falar com uma das nossas assistentes, que naturalmente não pode resolver porra nenhuma, digite 6.

[barulho de tecla]

Agora, antes de passar para uma das nossas atendentes, eu queria te informar o seu número de protocolo, caso você queira falar sobre essa ligação depois. Eu vou inventar esse número de cabeça agora, ok, então você anota aí:

4001 – 252 – 368 – 487913267491874515 – Pi

Se você quiser que eu repita, digite 1. Mas dessa vez, vê se fica mais esperto com essa caneta, pode ser?

Achei esse texto muito legal. Pena que eu assino a Telefonica.

Ouvindo: Belle & Sebastian – Like Dylan in the Movies

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Rebeliões

novembro 15, 2010

Sleeping is giving in,

no matter what the time is.
Sleeping is giving in,
so lift those heavy eyelids.

Passei alguns anos sem ouvir Arcade Fire, por puro e inocente tédio. Mas depois que ouvi Rebellions um todo apareceu para mim. Foi como se por toda a minha vida eu tomasse sorvete de morango, e de um dia para o outro alguém me mostrasse um sorvete de chocolate delicioso e cheio desses granulados coloridos em cima.

“People say that you’ll die

faster than without water.”

 

Seria uma bela metáfora para a vida se ela não fosse às vezes tão amarga. Amarga porque você se depara com algumas coisas que te entristecem, fazem escorrer lágrimas, você se desespera, acha que nada tem sentido, e que muitas vezes o que te resta é só deitar na cama e esperar que o sol venha pra secar todas as pequenas gotinhas em cima do travesseiro. Muitas vezes ele não vem. O Sol tem obrigações mais importantes: brilhar, talvez.

“People say that you’ll die

faster than without water.”

 

De repente, tudo o que eu queria era tocar em uma banda como o Arcade Fire, tocar muitos instrumentos, morar em um país gélido, gastar meu dinheiro com materiais para ski.

“But we know it’s just a lie,

scare your son, scare your daughter.”

 

Mas aí eu olho pro lado. E só vejo meus desencontros. E rebeliões… rebeliões…

 

Ouvindo: Arcade Fire – Rebellions (Lies)

Essa semana ganhei uma folga master do trabalho. Contando com o dia de finados (as pessoas são mórbidas, dedicam um dia da vida delas aos mortos. Como se eles pudessem agradecer por isso, enfim), e com o feriado de São Carlos, que é amanhã, ganhei uma semana in-tei-ri-nha de perninhas pro ar. É como se o papai noel chegasse aqui pra mim e me chamasse de minha nêga.

Eu acabei de chegar em casa, o que significa que eu ainda não tive vontade de tirar os sapatos. Eu tenho o péssimo costume de colocar o computador em primeiro lugar em minha vida, ligando o botãozinho antes de tirar os brincos, ou a maquiagem, ou sei lá, mal abrindo os olhinhos de manhã o pc já tá lá firme e forte. Minha vida se esclarece cibernéticamente, entende.

Agora eu tô aqui vendo Mad Men. Que série maravilhosa essa. Eu acredito que há dois motivos para ela ser tão boa:

1) Todas as pessoas são cool. E o fato de todas elas fumarem não as tornam todas tão idiotas.

2) A trama é muitíssimo bem amarrada.

Mas é claro que ter uma mulher feito a Christina Hendrix no elenco torna todo o cenário ideal para o sucesso. Se eu pudesse ser ruiva e ter esse corpo, eu queria ser devastadora feito a Christina Hendrix.

Ouvindo: Cat Power – Metal Heart

Quantas vidas você tem?

novembro 2, 2010

Fui ao show do Paulinho Moska (ou agora chamado Moska)  na última sexta, com músicas do último disco dele (duplo), o Muito Pouco. O show foi de graça e faz parte de um projeto do SESC de levar atrações culturais, um tipo de projeto itinerante em cidades que não possuem essa instituição cultural. O show foi tão bonito que eu até esqueci que não sou muito dessa onda de MPB. Namorado, ao contrário, adora, o que me faz pensar que o amor muda totalmente a gente etc.

Além disso, eu conheci o Paulinho Moska, e ele é tão legal. Um dia, quando o Thiago me passar as fotos dele, eu posto aqui.

Ouvindo: Moska – Tom do Amor :~

Decepção de infância

agosto 25, 2010

Quando eu era pequena, o que eu mais queria no mundo era viajar nesses ônibus que fecham com aquelas cortininhas e morria de felicidade quando o onibus tinha TV e ar condicionado.

Daí anos mais tarde, eu resolvi estudar/morar em outra cidade, precisando voltar pra cidade natal numa média de 15 em 15 dias. Todo esse sonho infantil de viajar de ônibus desapareceu com todo o problema INTRÍNSECO existente  onde 40 pessoas adultas resolvem se juntar em um lugar meio apertado durante 4 horas. A tortura inclui: crianças, gente lerda que parece que está com reumatismo porque não anda direito no corredor, gente que senta na sua poltrona, crianças, gente que não usa fones de ouvido, crianças, gente que puxa papo… fora que todo funcionário é estúpido demais pra saber que a palavra “educação” também pode ser usado no tratamento para com pessoas que estão meio fartas dessa coisa toda de viajar.

Não é fácil ter que viajar.

Abaixo o Reitor

agosto 19, 2010

Tava voltando do almoço quando me deparo com uma multidão ensandecida em frente à Reitoria. Fiquei tão perplexa com o motivo do povo todo estar ali. Eles queriam falar com o Reitor da UFSCar pra dar um fim àquele velho assunto do pessoal da Medicina (não me pergunte a quantas andas esse troço). É que assim. Parece que os estudantes de Medicina no 5o ano, me parece, estão sem lugar pra fazer os estágios deles. Porque simplesmente aqui em São Carlos não existe um Hospital das Clínicas ou seja = galera, se vira aí seus médicos magic

Pra entender melhor a coisa, tem esse videozim que saiu no Jornal local:

O ponto alto do vídeo é a menina chorando cachoeiras porque o reitor foi grosso etc.

Daí que houve mais uma manifestação hoje. Obviamente que eu saí de fininho né. Eu não me incluo na classe de médicos, essa minoria revoltada sem direitos, deveres e estágios.

Ouvindo: The Clash de leve

Fort Apache

agosto 19, 2010

Eu re-vi o filme Fort Apache esses dias e lembrei que fiz uma resenha este ano pra ele. Republicarei NA ÍNTEGRA:

“When the legend becomes fact, print the legend”

Ontem assisti “Fort Apache” ou “Sangue de Heróis” como no Brasil ficou chamado. Trata-se de um filme do gênero western com bela atuação de Henry Fonda e do sempre GRANDE John Wayne, que no filme faz o papel de Kirby York, um ex líder de um regimento de guerra que fora passado pra trás pelo tenente-coronel Owen Thursday interpretado por Henry Fonda, o qual foi enviado para assumir o comando do forte no lugar de Kirby, igualmente capacitado para o cargo, mas injustiçado pelo comando maior do Exército.

Porém, ao chegar em Hassayampa, província de Fort Apache, Owen Thursday se mostra um sujeito muito autoritário e inflexível, mandando e desmandando ao seu bem querer. Rodeado de índios, pois os mesmos fugiram da reserva, Thursday e sua cavalaria tem a missão de fazer com que eles voltem a ela, mas, no alto de sua prepotência (Thursday chama os índios de “animais desobedientes”) ele não aposta em uma saída pacífica, pregada por York, e se recusa a entrar em comum acordo com Cochise, o líder apache.

Baseado na história “Massacre” de James Warner Bellach e dirigido grandiosamente por John Ford com roteiro escrito por Frank S. Nugent, o filme, que é o primeiro da “Trilogia da Cavalaria”, seguido por Rio Grande e Legião Invencível, tem semelhança com a lenda de George Armstrong Custer, o General Custer, oficial de cavalaria famoso por seu extremo autoritarismo e violência presentes nas batalhas que preconizou, essas que incluíam massacres de mulheres, crianças e idosos das tribos Syoux e Cheyennes.

O lado negro da história americana, a tirania presente no tratamento para com os índios, o sistema rígido de classes no Exército exemplificado nas figuras do Sargento O’Rourke, que se apaixona pela filha do Tenente Coronel Thursday, e a relação York x Thursday, são temas retratados como tradicionalmente Ford explora a realidade do Velho Oeste, de modo que o romance de Philadelphia, filha de Thursday, e Sargento O’Rourke passa quase desapercebido…

Fort Apache possui uma forte lição de camaradagem e bravura de homens que se entregaram à sua nação. O título que dou a esta resenha, tirada do filme “The Man Who Shot Liberty Valance” também de John Ford, é referência à personagem de Henry Fonda que se tornou inspiração não por sua glória de batalha, que não houve, e sua estratégia de guerra falida, mas por amor e dedicação ao seu regimento, indubitavelmente memoráveis.

Mini-food

agosto 19, 2010

Stephanie Kilgast era uma francesa entediada com o curso de Arquitetura quando uma ideia iluminou seus pensamentos nas férias de verão da faculdade. Resolveu que gostaria de trabalhar com arte em miniatura, e colocou as mãos na massa. Ou melhor, mãos em palitos e massa de argila.

O resultado são coisas lindas como essas:

… festa dos docinhos em miniatura…

… bolos de chocolate…

… mais bolinhos…

… cupcakes…

… mini-queijos…

… até comida mexicana.

O trabalho da francesa é diversãozinha sem fim. No site dela tem mais imagens e até um tutorial de como fazer MINI-LIMÕES, dando base até pra fazer outras coisinhas do tipo. Como sou deveras legal, mando por aqui mesmo o tutorial, a partir do blog dela aqui.

Ouvindo: Pavement – Cut Your Hair

Lovage

agosto 17, 2010

Dan Nakamura (mais conhecido como DAN THE AUTOMATOR*) é um homem à frente do seu tempo. Produziu muita coisa boa numa época em que a música alternativa ainda respirava com ajuda de aparelhos. Por seu anseio em trabalhar sua criatividade e genialidade de maneira com que as pessoas não olhassem o experimentalismo com bons olhos, produziu diversas bandas que mudaram um pouco a visão do hip hop, que ainda era (e que mudou bastante essa visão atualmente) algo que remetia às classes mais pobres.

Com a genialidade de mais alguns bons nomes com os quais trabalhou, tais como Kid Koala, Mike Patton, Damon Albarn (Dan produziu o primeiro disco do Gorillaz), Cornershop e até mesmo o Kasabian (West Ryder Pauper Lunatic Asylum, o terceiro disco deles**), Dan fez aquela mistureba juntando acid rock, punk, dub, hip hop e trip-hop. trip-hop, a edição downtempo da música eletrônica, que define o som do Lovage: sexual, harmonioso e envolvente.

Lovage é assim: pura sexualidade. Não consigo achar outra palavra pra definir. É orgasmo para os ouvidos. Som para poucos: “I’m a toy, come and play with me, say work now”*** é um bom chamariz para aqueles que gostam de referências submissas no mundinho musical. Mas dizem que o “Créu” ainda prevalece na mente coletiva. Eu prefiro não acreditar nisso.

Lógico que o nosso melhor michê, Mike Patton (front-man de mais um milhão de bandas: Faith No More, Fantomas, Mr. Bungle), dá aquele tom bacana ao disco. Mas é a Jennifer Charles que ganha toda a nossa atenção. Ok, vou ser mais razoável: os dois fazem a melhor dupla, do tipo entrosamento total no disco “Music to make love to your old lady by”****, o único lançado em 2001. Acho que o nome do disco não precisa de mais descrições, e nem mais explicitações. É ouvir e prestar atenção em todas as entrelinhas pra dizer: “Puxa, é realmente um grande disco”. Ou todo o seu dinheiro (ou tempo de download) de volta.

Notas da autora:

* Nunca imaginei que alguém que se chama DAN THE AUTOMATOR quisesse ser chamado por seu nome civil.

** Não ouvi esse disco. não gosto de Kasabian.

*** Trecho da música “Sex (I’m a)”

**** A capa é referência ao disco “no 02” do Serge Gainsbourg.

Subúrbio

agosto 13, 2010

acordei com esta música de manhã. é tão linda e demais e etc.

“The Suburbs” – Arcade Fire

In the suburbs
I learned to drive
And you told me we’d never survive
Grab your mother’s keys we’re leavin’

You always seemed so sure
That one day we’d fight in
In a suburban world
your part of town gets minor
So you’re standin’ on the opposite shore
But by the time the first bombs fell
We were already bored
We were already, already bored

Sometimes I can’t believe it
I’m movin’ past the feeling
Sometimes I can’t believe it
I’m movin’ past the feeling again

Kids wanna be so hard
But in my dreams we’re still screamin’ and runnin’ through the yard
And all of the walls that they built in the seventies finally fall
And all of the houses they build in the seventies finally fall
Meant nothin’ at all
Meant nothin’ at all
It meant nothin

Sometimes I can’t believe it
I’m movin’ past the feeling
Sometimes I can’t believe it
I’m movin’ past the feeling and into the night

So can you understand?
Why I want a daughter while I’m still young
I wanna hold her hand
And show her some beauty
Before this damage is done

But if it’s too much to ask, it’s too much to ask
Then send me a son

Under the overpass
In the parking lot we’re still waiting
It’s already passed
So move your feet from hot pavement and into the grass
Cause it’s already passed
It’s already, already passed!

Sometimes I can’t believe it
I’m movin’ past the feeling
Sometimes I can’t believe it
I’m movin’ past the feeling again

I’m movin’ past the feeling
I’m movin’ past the feeling

In my dreams we’re still screamin’
We’re still screamin’
We’re still screamin’